João Pedro Almeida https://blog.joaoalmeidaphotography.com Fotografia de Viagem e Documental Sun, 14 Jul 2019 15:40:18 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=5.2.2 https://blog.joaoalmeidaphotography.com/wp-content/uploads/2017/09/cropped-cqFwjhSl_400x400-32x32.jpg João Pedro Almeida https://blog.joaoalmeidaphotography.com 32 32 O médico que cura https://blog.joaoalmeidaphotography.com/pt/o-medico-que-cura/ https://blog.joaoalmeidaphotography.com/pt/o-medico-que-cura/#respond Sun, 14 Jul 2019 15:40:16 +0000 https://blog.joaoalmeidaphotography.com/?p=6187

Em Lisboa há um médico para o qual se podem enviar orações a pedir a cura dos males.

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No centro de Lisboa, mesmo em frente a um edifício onde durante séculos se tem estudado medicina, há uma estátua de um homem.Esse homem é Sousa Martins, um aclamado médico e professor que viveu em Lisboa no século 19, e que ficou também conhecido pelo seu trabalho junto dos mais pobres da cidade. Terá sido este último atributo que a origem de um culto que se mantém até hoje. Há várias décadas que pessoas se dirigem à sua estátua, deixando flores e acendendo velas, pedindo a cura às suas doenças, e mais tarde, quando as preces são atendidas, mostrando a gratidão ao médico que cura deixando pequenos memoriais que se acumulam na base da estátua.

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O lugar das máscaras de amieiro https://blog.joaoalmeidaphotography.com/pt/o-lugar-das-mascaras-de-amieiro/ https://blog.joaoalmeidaphotography.com/pt/o-lugar-das-mascaras-de-amieiro/#respond Thu, 30 May 2019 23:58:53 +0000 https://blog.joaoalmeidaphotography.com/?p=6166

A aldeia de Beira Alta com o Entrudo feito de máscaras de amieiro.

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A maioria das tradições de máscaras em Portugal acontece no noroeste do país, onde a distância da costa e das principais cidades, juntamente com as montanhas que estão pelo meio meio, permitiu que essas tradições pagãs sobrevivessem. Lazarim é uma daquelas aldeias com tradições pré-cristãs: um Carnaval que se esconde atrás de máscaras de madeira de amieiro. Apesar de não ser o lugar mais distante dos grandes centros, o facto de estar em um fundo de um vale em plena Serra de Montemuro faz com que seja mais isolado do que aparentemente é.

É esse isolamento, junto com a resiliência daqueles que lá vivem, que mantêm a tradição viva. O que inicialmente era um ritual pagão de fertilidade, e altamente subversivo devido às máscaras e ao anonimato, sobreviveu a um rigoroso regime fascista com fortes valores católicos. É um traço comum de todas as tradições de máscara se seguir nos últimos anos: a igreja e o padre local nunca gostaram muito disso. Em Lazarim, durante os anos da ditadura, as festividades geralmente acabavam na esquadra, e depois no tribunal, onde toda a aldeia aparecia em peso para o julgamento..

Hoje em dia a “guarda” não vão mais atrás do povo de Lazarim, e pequenas multidões aparecem no fim de semana do Carnaval, especialmente na Terça-Feira Gorda, para participar nos festejos. As coisas evoluíram. As máscaras de amieiro ainda são construídas segundo os motivos tradicionais, mas outras mais modernas apareceram (embora as classicás máscaras do diabo ainda sejam as mais marcantes), e foi criada uma competição onde todos os artesãos quere obter o troféu da melhor máscara do ano.

FUJIFILM X-T10 (18mm, f/2, 1/3500 sec, ISO200)
As montanhas ao redor de Lazarim e a estrada sinuosa que leva até ela no fundo do vale.
FUJIFILM X-T10 (85mm, f/0, 1/900 sec, ISO200)
Algumas das casas de Lazarim, com algumas já a cair.
FUJIFILM X-T10 (18mm, f/2, 1/100 sec, ISO800)
Ferramentas e lascas de madeira de trabalho em curso numa máscara.
FUJIFILM X-E2 (35mm, f/2, 1/100 sec, ISO200)
Esculpindo um bloco de amieiro até à máscara.
FUJIFILM X-T10 (18mm, f/2, 1/100 sec, ISO400)
Um canto de uma oficina de máscara, com máscaras acabadas e troféus de anos anteriores.
FUJIFILM X-E2 (35mm, f/2, 1/100 sec, ISO1000)
Escola primária com a data do último dia de aula antes do Carnaval.
FUJIFILM X-T2 (23mm, f/2, 1/170 sec, ISO200)
Acendendo o fogo, para cozinhar o feijão e a carne dentro das panelas que serão servidas a todos.
FUJIFILM X-T2 (23mm, f/4, 1/600 sec, ISO200)
No início da tarde, os primeiros mascarados começam a aparecer nas ruas, a caminho da praça.
FUJIFILM X-T10 (18mm, f/2.2, 1/450 sec, ISO200)
Máscara e traje, prontos para o Carnaval.
FUJIFILM X-T2 (23mm, f/2, 1/640 sec, ISO200)
À procura dos melhores lugares.
FUJIFILM X-E2 (35mm, f/2, 1/500 sec, ISO200)
Um por um os “caretos”, os mascarados, vão chegando à praça principal, ao mesmo tempo em que o público vai-se juntando.
FUJIFILM X-T2 (50.5mm, f/4, 1/640 sec, ISO400)
A praça é o local de encontro, e logo fica lotada de participantes para descobrir qual é a melhor máscara.
FUJIFILM X-T2 (55mm, f/4.5, 1/340 sec, ISO400)
Os mascarados alinham-se lado a lado, bem em frente ao pequeno palco.
FUJIFILM X-T2 (23mm, f/3.2, 1/420 sec, ISO400)
Um rapaz e uma rapariga (compadre e comadre) irão subir ao palco e ler os “testamentos”, uma longa lista de “factos” não lisonjeiros relacionados com os outros aldeões.
FUJIFILM X-T2 (18mm, f/8, 1/200 sec, ISO400)
Multidão a ouvir a leitura dos “Testamentos” na praça principal.
FUJIFILM X-T2 (55mm, f/4, 1/750 sec, ISO400)
Sendo uma festa de inverno no norte de Portugal, a chuva é uma constante.
FUJIFILM X-T2 (25.4mm, f/4, 1/3800 sec, ISO400)
A última atividade do dia: a queima do “compadre” e “comadre”, com todos (incluindo os mascarado) observando de longe.
FUJIFILM X-T2 (37.4mm, f/3.6, 1/80 sec, ISO3200)
A Terça-Feira Gorda termina com todos a feijoada que estava cozinhar durante a tarde inteira.

Pode encontrar estas fotos na minha galeria, juntamente com outras fotos do Entrudo de Lazarim, bem como outras fotos da Beira Alta.

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Repetir um Carnaval, mas mais devagar https://blog.joaoalmeidaphotography.com/pt/repetir-um-carnaval-mas-mais-devagar/ https://blog.joaoalmeidaphotography.com/pt/repetir-um-carnaval-mas-mais-devagar/#respond Sat, 18 May 2019 12:57:27 +0000 https://blog.joaoalmeidaphotography.com/?p=6113

Repetindo o programa de Carnaval do ano anterior, mas desta vez num ritmo mais lento.

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Pode parecer estranho partilhar uma viagem de Carnaval quando já passaram algumas semanas da Pascoa (mais sobre esse para breve), mas tinha a necessidade de o partilhar, também por causa das fotos mas também porque foi um ano onde se repetiu o programa do ano anterior.

FUJIFILM X-E3 (34.3mm, f/4, 1/52 sec, ISO3200)
Chegar cedo e aproveitar o fim de dia na Serra da Lousã.

Tal como no ano passado, eu, o João e a Nicole tínhamos um plano simples para o fim-de-semana de Carnaval: primeiro as máscaras de cortiça nas aldeias de Góis, mesmo no centro de Portugal, e depois seguir para Norte ate Vila Boa, onde acontece um dos melhores Carnavais de Trás-Os-Montes. A primeira grande mudança deste anos foi que tivemos a companhia do Pedro Vilela e da sua malta (isto é, a sua família muito fixe), mais gente atraída pelas tradições de máscaras, mas também para vir juntamento connosco enquanto regressávamos aos nossos sítios, comíamos os nosso pratos preferidos e visitávamos velhos amigos. A segunda mudança foi abrandar da correria do ano anterior, Onde saímos à pressa de ambos os Carnavais de Góis e Vila Boa. Este ano chegamos mais cedo, saímos mais tarde e ao longo dos dias fomos fazendo as coisas com calma. E para alguém como eu, que cada vez viajo mais vontade tenho de viajar devagar, isto faz perfeito sentido!

Entrudo de GoísFUJIFILM X-E3 (35mm, f/3.6, 1/320 sec, ISO200)
As máscaras de cortiça são o pormenor mais distintivo do Entrudo de Góis.
Entrudo de GoísFUJIFILM X-T2 (23mm, f/2, 1/30 sec, ISO200)
A pregar partidas e entrar em todo o lado ao longo do caminho.
Entrudo de GoísFUJIFILM X-E3 (35mm, f/3.6, 1/320 sec, ISO200)
Todos os anos há uma “foto de família” debaixo deste velho carvalho
Entrudo de GoísFUJIFILM X-T2 (23mm, f/3.6, 1/1000 sec, ISO200)
Em Góis os gaiteiros também andam mascarados.
FUJIFILM X-T2 (18mm, f/4, 1/1600 sec, ISO200)
Em Montesinho: um grande rebanho de ovelhas guardado por vários Cães de Gado Trasmontanos. Trás-Os-Montes numa foto.
FUJIFILM X-E3 (124.3mm, f/5.6, 1/450 sec, ISO200)
As cores de Inverno num bosque na zona de Vinhais.
FUJIFILM X-E3 (35mm, f/2, 1/42 sec, ISO800)
Chegar cedo significa chegar antes das coisas acontecerem. Aqui o To Zé ainda estava na oficina antes de vestir o fato e a máscara.
FUJIFILM X-T2 (23mm, f/2.8, 1/450 sec, ISO200)
São sempre precisos músicos em Trás-OsMontes, em especial tambores e gaitas de foles.
FUJIFILM X-T2 (23mm, f/5, 1/500 sec, ISO500)
A pregar partidas ao longo do caminho.
FUJIFILM X-T2 (23mm, f/2.8, 1/300 sec, ISO200)
Juntar a lenha e acender a fogueira.
FUJIFILM X-E3 (35mm, f/2.8, 1/1700 sec, ISO400)
Saltar por cima das fogueiras, até que não haja mais lenha para arder, normalmente é assim que termina!.

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Solstício de Inverno em Trás-Os-Montes https://blog.joaoalmeidaphotography.com/pt/solsticio-de-inverno-em-tras-os-montes/ https://blog.joaoalmeidaphotography.com/pt/solsticio-de-inverno-em-tras-os-montes/#respond Sun, 06 Jan 2019 14:08:18 +0000 https://blog.joaoalmeidaphotography.com/?p=5589

Os últimos dias do ano passados em Trás-Os-Montes atrás das festas de inverno.

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Todas as vezes que regresso de Trás-Os-Montes regresso de coração cheio, com toda o calor e a generosidade que recebo neste canto frio e esquecido do país. Às vezes acho que as minhas raízes também podiam estar aqui, juntamente com as minhas costelas beirãs. Esse é uma das razões porque regresso tantas vezes: é uma região dura de gente calorosa e tradições fortes. O Inverno é uma altura importante naquelas bandas, com várias festividades a acontecer por altura do Solstício de Inverno, festividades que muitas vezes têm nomes religiosos, como Festas de Santo Estevão, mas que era eram olhadas de lado pelo clero por causa das suas origens pagãs, que datam das antigas celebrações do Solstício de Inverno.

Este ano foi a segunda vez que apressei o almoço de Natal para arrumar as minhas coisas e rumar a norte (a primeira foi há dois anos), desta vez o parceiro foi o João, presença habitual nestas idas a Trás-Os-Montes mas na primeira vez que ia nesta altura do ano. À chegada a trupe cresceu com o Hugo; a Cláudia, a talentosa fotógrafa que conhece a área como a palma da mão; e a Yoko, a japonesa mais popular de Trás-Os-Montes, uma vedeta em cada uma destas festas de Inverno. Durante uma semana andámos s a deambular o Nordeste Transmontano.

Há dois anos o foco foi apenas num dos lugares: a festa dos rapazes de Grijó de Parada, onde eu e o Emanuele estivemos nos dois dias que dura. Desta vez o plano era ir um pouco mais longe, mas o problema é que estas festividades acontecem todas nos mesmos dias, o que implica que o calendário tem de ser planeado com cuidado. A ideia era regressar a Grijó, mas também poder ir a Ousilhão (outra aldeia com tradições de máscaras muito fortes), ambas de certa maneira são semelhantes: um grupo de mascarados percorre a aldeia a recolher ofertas, comer e beber, e fazer partidas pelo caminho.

Depois uma pequena pausa das máscaras, para uma festa de inverno diferente noutra região de Trás-Os-Montes: a festa dos moços, na zona do Planalto Mirandês, onde em vez de máscaras são pauliteiros que vão de porta em porta. O plano foi também ficar mais alguns dias, até ao Ano Novo, para conhecer as festas que acontecem no primeiro dia do ano na Mogadouro, outro dia onde acontece tudo ao mesmo tempo. E como no meio disto havia tempo livre ainda havia espaço para explorar ainda mais a região, em especial o lado ocidental do parque de Montesinho, ou voltar às arribas do rio Douro.

Foram uns dias bem preenchidos, e agora é altura de regressar a casa e por mãos à obra. Assim que regresse do meu refúgio na Beira Baixa, onde estou a recuperar não só destes últimos dias, mas também das semanas agitadas desde que embarquei para Hong Kong em Novembro.

Campos da bola insólitos nunca andam muito longe de mim, e em Trás-Os-Montes é quase o paraíso deles. Ousilhão, Vinhais.
FUJIFILM X-T2 (23mm, f/2.2, 1/200 sec, ISO400)
Máscaro com máscara de lobo antes do cortejo até ao largo da igreja. Ousilhão, Vinhais.
FUJIFILM X-T2 (23mm, f/2.2, 1/450 sec, ISO200)
Em todas as fontes a água é espalhada. Ousilhão, Vinhais.
FUJIFILM X-T2 (23mm, f/2.2, 1/5800 sec, ISO200)

Beber um gole de vinho no largo da igreja da aldeia, onde terminam as celebrações. Ousilhão, Vinhais.
FUJIFILM X-T2 (0mm, f/4, 1/200 sec, ISO400)
Careto com a maçã onde são guardadas as moedas que são oferecidas. Grijó de Parada, Bragança.
FUJIFILM X-T2 (0mm, f/2.5, 1/420 sec, ISO200)
Carro de bois puxado por toda a aldeia. Grijó de Parada, Bragança.
FUJIFILM X-T2 (0mm, f/3.6, 1/480 sec, ISO200)
Comida e bebida em cada casa. Grijó de Parada, Bragança.
Pauliteiros. Constantim, Miranda do Douro.
FUJIFILM X-T2 (34.3mm, f/3.6, 1/680 sec, ISO200)
Pauliteiros a começar a dança escolhida pelo dono da casa. Constantim, Miranda do Douro.
FUJIFILM X-T2 (37.4mm, f/3.6, 1/38 sec, ISO6400)
Galhofa, uma forma de luta corpo a corpo tradicional de Trás-Os-Montes. Parada, Bragrança.
Os lameiros típicos do Planalto Mirandês. Miranda do Douro.
FUJIFILM X-T2 (31.5mm, f/5.6, 1/240 sec, ISO200)
Rio Rabaçal, na parte ocidental do Parque Natural de Montesinho, Vinhais
FUJIFILM X-T2 (42.5mm, f/4.5, 1/1000 sec, ISO200)
Grifo a voar pelo meio das arribas do Douro Internacional. Miranda do Douro.
FUJIFILM X-T2 (23mm, f/2.8, 1/250 sec, ISO200)
Chocalheiro de Bemposta a respirar um pouco de ar fresco depois de correr as ruas da aldeia. Bemposta, Mogadouro
FUJIFILM X-T2 (0mm, f/2.8, 1/6400 sec, ISO200)
O Farandulo, a representação do Mal que sai à rua no dia de Ano Novo. Tó, Mogadouro.

Solstício de Inverno em Trás-Os-Montes is a post of João Pedro Almeida - Fotografia de Viagem e Documental.

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O meu Extremo Oriente cinemático https://blog.joaoalmeidaphotography.com/pt/o-meu-extremo-oriente-cinematico/ https://blog.joaoalmeidaphotography.com/pt/o-meu-extremo-oriente-cinematico/#respond Sun, 16 Dec 2018 00:48:54 +0000 https://blog.joaoalmeidaphotography.com/?p=5542

Ao aterrar em Hong Kong as minhas referências visuais tinham a ver com filme, como seria de esperar as primeiras fotos que escolho levam a um lado cinemático.

O meu Extremo Oriente cinemático is a post of João Pedro Almeida - Fotografia de Viagem e Documental.

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Ao voar para Hong Kong tinha já algumas imagens na minha cabeça: um Anime futurista ou um daqueles série B de Hong Kong, apesar de não ser fã empedernido de nenhum desses géneros de filmes. Ia à espera de um enorme cenário de cinema: neóns vintage a piscar, posters a ocuparem prédios inteiros, enormes ecrãs ou pequenos anúncios LED a iluminar as ruas. Obviamente houve muito mais na viagem que isso, mais que “essa” Hong Kong, mais que ruas e cidades, mas a referência visual mais presente na minha cabeça era um universo caótico de luz e cor que parecia saído de um filme. E acabei por transportar esse mundo cinemático também para Macau e Taiwan

Apesar de espampanantes , não foram os casinos que me cativaram em Macau, talvez por serem demasiado artificiais, cheios de ar e sem alma. E nas ruas estreitas em volta das Ruínas de São Paulo, apesar de encantadoras e cheias de personalidade, rapidamente se esbarra num grupo de turistas com as suas caixas de pasteis de nata. Fui encontrar o meu cenário de filme mais a Norte, até já não poder as luzes dos casinos a piscar por entre os betão negro dos edifícios na cidade, nos bairros mais junto ao Mercado Vermelho e às Portas do Cerco.

Em Taiwan fui encontrar uma China diferente, uma mais arrumada e organizada. E em especial em Taipé, uma cidade vibrante com cruzamentos cercados de luz e cor e, por breves momentos, todo o trânsito para e as pessoas caminham em todas as direções. Bairros animados cheios de lojas da moda, mercados nocturnos onde se faz fila para obter aos melhores snacks de meia-noite, e junto há salas a debitar luz e música alta para atrair as pessoas para as máquinas de jogos de garra cheias de brinquedos inúteis que estão lá dentro. É uma China diferente, onde se sente a distância do continente e a proximidade do Japão.

Finalmente Hong Kong, a última paragem antes de voar para casa, e a personagem principal do universo cinemático na minha cabeça. A metrópole caótica onde o novo e o velho partilham o mesmo espaço limitado: os arranha-céus reluzentes que são construídos a cada ano vão partilhar o espaço com eléctricos que fazem uma rota que é feita há mais de 100 anos, tal como os ferries que cruzam Victoria Harbour. Na margem oposta as coisas tornam-se ainda mais estimulantes, com os bairros agitados e caóticos de Kowloon: ruas cheias com mercados a vender todo o tipo de coisas inúteis, lotados com pessoas a tentar passar o pouco espaço disponível e, mesmo por cima, enormes luzes de neón a lutar pela atenção de quem passa em baixo. E essas não me desiludiram de todo!

FUJIFILM X-T2 (18mm, f/6.4, 1/640 sec, ISO400)
As torres de ficção científica de Central. Hong Kong
FUJIFILM X-T2 (18mm, f/5.6, 1/640 sec, ISO200)
Ximending, o mais agitado e, provavelmente, o mais colorido cruzamento de Taipé. Taiwan
FUJIFILM X-E3 (23mm, f/4, 1/1700 sec, ISO200)
Os posters coloridos, os letreiros coloridos contra o cinzento austero das torres em volta. Macau
FUJIFILM X-T2 (27.7mm, f/3.2, 1/200 sec, ISO200)
As filas de almoço em Lan Kwai Fong, Hong Kong
FUJIFILM X-E3 (23mm, f/4, 1/50 sec, ISO3200)
As luzes do avassalador, e não necessariamente de de uma boa forma, edifício Grand Lisboa. Macau
FUJIFILM X-T2 (55mm, f/5.6, 1/125 sec, ISO1250)
Táxi em Mong Kok. Hong Kong
FUJIFILM X-E3 (23mm, f/2, 1/180 sec, ISO2000)
Semáforos a fechar num cruzamento do bairro de Datong em Taipé. Taiwan
FUJIFILM X-T2 (20.5mm, f/4, 1/320 sec, ISO1000)
Passagem aérea em Mong Kok, olhando de cima a rua abaixo. Hong Kong
FUJIFILM X-T2 (0mm, f/3.6, 1/750 sec, ISO4000)
Banca de chá num mercado nocturno de Taipé. Taiwan
FUJIFILM X-T2 (0mm, f/3.6, 1/1000 sec, ISO4000)
Escolher entre as várias opções de carne no espeto num mercado nocturno de Taipé. Taiwan
FUJIFILM X-T2 (0mm, f/7.1, 1/250 sec, ISO6400)
Muita concentração num jogo de xadrez chinês. Hong Kong
FUJIFILM X-T2 (18mm, f/4.5, 1/80 sec, ISO400)
The shiny and very loud claw machine joints. Taiwan
FUJIFILM X-T2 (32.9mm, f/7.1, 1/20 sec, ISO6400)
O icónico, e velho, Star Ferry a sair de Kowloon. Hong Kong
FUJIFILM X-E3 (71.5mm, f/3.6, 1/58 sec, ISO6400)
Kownloon visto de Victoria Peak. Hong Kong
FUJIFILM X-E3 (35mm, f/3.6, 1/60 sec, ISO3200)
As bonitas lanternas a iluminar os becos de Jiufen, alegadamente uma das inspirações para o filme A Viagem de Chihiro. Taiwan

O meu Extremo Oriente cinemático is a post of João Pedro Almeida - Fotografia de Viagem e Documental.

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De volta do Camiño https://blog.joaoalmeidaphotography.com/pt/de-volta-do-camino/ https://blog.joaoalmeidaphotography.com/pt/de-volta-do-camino/#respond Sat, 20 Oct 2018 19:55:39 +0000 https://blog.joaoalmeidaphotography.com/?p=5414

Se deu uma olhada rápida nas fotos deste post e nenhuma delas tem nada a ver com o Caminho de Santiago: nenhum peregrino a caminhar com uma concha de vieira na mochila ou setas amarelas pintadas em casas a cair e árvores velhas, está certo!

De volta do Camiño is a post of João Pedro Almeida - Fotografia de Viagem e Documental.

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Se deu uma olhada rápida nas fotos deste post e nenhuma delas tem nada a ver com o Caminho de Santiago: nenhum peregrino a caminhar com uma concha de vieira na mochila ou setas amarelas pintadas em casas a cair e árvores velhas, está certo! Mas não há que ter medo, há uma boa razão para isso.

Durante a semana passada no Caminho Português até Compostela o meu camiño começava antes do nascer do sol, no momento em que saltava do meu beliche (normalmente ficava no de cima) no albergue, e terminava no momento em que arrumava as minhas botas, para apenas as voltar a calçar no dia seguinte. Quando ia tomar o merecido banho isso marcava o final de quase tudo de importante no dia, apesar de ainda faltarem horas para ir dormir. Eram as botas que me punham em modo peregrino, e quando não as tinha era hora de abrandar, descontrair, desfrutar das pequena cidade que seria a paragem da etapa do dia, dar uma pequena voltinha para descomprimir e beber uma merecida cerveja gelada! Fechar o dia com uma bebida, quente ou fria, é algo que faço sempre que posso em viagem, e eu , o João e a Ana sempre chegávamos ao destino com bastante tempo para isso.

Agora que regressei a casa e começo a olhar para as fotografias, as que primeiro me chamaram a atenção não foram as feitas com as botas calçadas, mas aquelas feitas perto da tal cerveja de fim de dia. Talvez por serem muito mais casuais e descontraídas, como quase toda a “street photography”, e sem intenção de documentar onde tinha chegado, ao contrário do resto do dia enquanto caminhava. No resto do camiño há uma narrativa mais densa, e que requer mais tempo para digerir, por isso, e também por uma certa preguiça, começo que algo que se pode chamar como o lado B do camiño.

FUJIFILM X-E3 (18mm, f/5.6, 1/950 sec, ISO200)
Ponte de Lima, Portugal
FUJIFILM X-E3 (18mm, f/2.8, 1/1500 sec, ISO200)
Rio Lima, Ponte de Lima, Portugal
FUJIFILM X-E3 (18mm, f/2.8, 1/320 sec, ISO200)
Centro histórico de Tui, Espanha
FUJIFILM X-E3 (18mm, f/4.5, 1/2900 sec, ISO200)
Centro histórico de Tui, Espanha
FUJIFILM X-E3 (27mm, f/3.6, 1/1300 sec, ISO200)
Centro histórico de Pontevedra, Espanha
FUJIFILM X-E3 (27mm, f/3.6, 1/220 sec, ISO200)
Centro histórico de Pontevedra, Espanha
FUJIFILM X-E3 (18mm, f/2.8, 1/60 sec, ISO1600)
Pontevedra, Espanha
FUJIFILM X-E3 (18mm, f/2.8, 1/2700 sec, ISO200)
Caldas de Reis, Espanha
FUJIFILM X-E3 (18mm, f/8, 1/500 sec, ISO200)
Padrón, Espanha
FUJIFILM X-E3 (18mm, f/3.2, 1/3200 sec, ISO200)
Padrón, Espanha
FUJIFILM X-E3 (18mm, f/13, 1/320 sec, ISO200)
Padrón, Espanha
FUJIFILM X-E3 (18mm, f/4, 1/1300 sec, ISO200)
Around the Cathedral. Santiago de Compostela, Espanha.
FUJIFILM X-E3 (18mm, f/2, 1/250 sec, ISO320)
Ponte de Lima, Portugal

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Montanhas Mágicas https://blog.joaoalmeidaphotography.com/pt/montanhas-magicas/ https://blog.joaoalmeidaphotography.com/pt/montanhas-magicas/#respond Fri, 07 Sep 2018 01:47:10 +0000 https://blog.joaoalmeidaphotography.com/?p=5312

Explorar as Serras da Freida e Arada, as chamadas "Montanhas Mágicas", à procura de vales fundos e das casas de telha preta que neles se escondem..

Montanhas Mágicas is a post of João Pedro Almeida - Fotografia de Viagem e Documental.

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Este era para ser um post sobre a Galiza … Pelo menos esse era o objetivo que eu e Emanuele marcámos para aqueles dias de Junho: uma região que ambos queríamos mesmo visitar já há muito tempo. Eu até já iria estar pelo  norte de Portugal, e nós estávamos mortinhos por uma boa road trip, parecia um plano perfeito. Mas porque nunca há tal coisa como um plano sem falhas, há sempre um imprevisto de última hora, e no final os planos foram baralhados e tiveram que ser começados do zero. A Galiza ficou muito longe pelo curto período de dias que tivemos, mas nós já tínhamos algo em mente.

FUJIFILM X-T2 (18mm, f/2.8, 1/1900 sec, ISO200)
FUJIFILM X-T2 (24.3mm, f/5.6, 1/1250 sec, ISO200)
FUJIFILM X-T2 (31.5mm, f/4.5, 1/1900 sec, ISO200)
FUJIFILM X-T2 (28.9mm, f/4.5, 1/5800 sec, ISO200)

Montanhas Mágicas é uma marca para um grupo de montanhas no centro de Portugal, entre os rios Douro e Vouga, que inclui as cadeias montanhosas Freita e Arada (exatamente onde andámos por aqueles dias). É uma região não tão remota quanto as outras no país, embora chamar algo “remoto” em um pequeno país da Europa Ocidental seja um pouco tolinho. Está a apenas a 50 quilómetros das cidades mais prósperas da costa, mas de certa forma está mais distante que isso. É uma região onde pequenas aldeias de casas de telhas negras, escondidas nos vales mais profundos, acessíveis por estradas sinuosas e estreitas e sinuosas, tudo isso para estar mais perto das ricas pastagens que alimentavam os grandes rebanhos de ovelhas e cabras. Quase como que quisessem tornar difícil chegar lá.

Já há bastante tempo que queria levar uma máquina fotográfica até lá, na verdade até foi a minha primeira escolha para aqueles dias de estrada. De uma certa maneira aquelas montanhas são mágicas para mim, tendo passado uma boa parte dos meus Verões no sopé da Serra de Arada, olhando as montanhas da janela. Da mesma maneira que há uns anos comecei a explorar as margens do rio Tejo perto de casa (uma zona que apesar de estar ao alcance da vista na verdade era-me tão familiar como as margens do rio Shyok no Norte da Índia), havia uma grande parte desta região que me era ao mesmo tempo próximo e desconhecido. E por isso mesmo, tal como com as margens do Tejo, era uma excelente razão para querer ir até lá.

FUJIFILM X-T2 (28.9mm, f/3.2, 1/1100 sec, ISO200)
Aldeia quase abandonada na Serra da Freita
FUJIFILM X-T2 (23.3mm, f/3.2, 1/500 sec, ISO200)
Casas fechadas e cães acorrentados a fechá-las
FUJIFILM X-T2 (18mm, f/3.2, 1/26 sec, ISO1600)
Vagarosamente ainda tratando do gado.
FUJIFILM X-E3 (32.9mm, f/3.6, 1/300 sec, ISO200)
Alminhas cobertas  de musgo
FUJIFILM X-T2 (23mm, f/2, 1/1700 sec, ISO200)
Telhado de pedra em ruínas numa aldeia da Serra da Arada.
FUJIFILM X-T2 (18mm, f/4.5, 1/240 sec, ISO200)
Uma das duas capelas de São Macário, no topo da Serra da Arada, onde as pessoas vão fazer ofertas ao santo.
FUJIFILM X-T2 (23mm, f/4, 1/105 sec, ISO200)
Guarda-chuva numa porta fechada numa casa na Serra de Arada.
FUJIFILM X-T2 (23mm, f/4, 1/1600 sec, ISO400)
Chamar as cabras para recolher ao curral.
FUJIFILM X-T2 (23mm, f/4, 1/210 sec, ISO400)
Ao final do dia as cabras descem as encostas em torno da aldeia.
FUJIFILM X-T2 (23mm, f/4, 1/40 sec, ISO200)
As cabras recolhem aos currais para a noite.
FUJIFILM X-T2 (23mm, f/3.2, 1/3000 sec, ISO200)
Mulher a pastorear um pequeno rebanho de ovelhas no alto da Serra da Arada, com os cães sempre atentos.
FUJIFILM X-T2 (24.3mm, f/5, 1/1700 sec, ISO200)
Pastos nos planaltos no alto da Serra da Freita

E para finalizar numa nota mais técnica, relacionada com o tratamento de das fotos, como em quase todas dos últimos tempos estas foram processadas usando os meus presets como ponto de partida. Se está curioso na escolha para a Kodak Ektar 100, Kodak Ektachrome 100 GX e Kodak Ektachrome 100 VS

Navegue nas fotos das Serras da Freita e da Arada na minha galeria.

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Tendo raízes familiares no Centro de Portugal, um dos epicentros dos incêndios florestais, onde há pinhais e eucaliptais a perder de vista, significou que o ano anterior foi passado a acompanhar as manchas de verde a desaparecer uma por uma

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Tendo raízes familiares no Centro de Portugal, um dos epicentros dos incêndios florestais, onde há pinhais e eucaliptais a perder de vista, significou que o ano anterior foi passado a acompanhar as manchas de verde a desaparecer uma por uma ao longo do Verão. E assim continuou pelo Outono a dentro até que, no último dia da temporada, chegou perto o suficiente para queimar o tapete da entrada.

E tendo raízes numa região onde os incêndios chegam em intervalos regulares obviamente tenho varias recordações de anos anteriores, e uma das que ficou mais marcada é o cenário que fica quando o Verão termina. Uma paisagem que já de si é negra, mas que ainda tem um pequeno rasgo de cor com a luz quente, com a chegada do Inverno mergulha numa escuridão e no esquecimento, e só começara a cicatrizar apenas na Primavera seguinte.

Dificilmente iria ficar longe desta memória, e acabei por passar uma boa parte do Outono, e em especial Inverno, pelos concelhos de Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos, Oleiros, Pampilhosa da Serra, Pedrogão Grande e Sertã à capturar este lado sombrio, adormecido e mesmo esquecido.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pode também ver esta série na minha galeria, bem como as restantes fotos da Beira Baixa e do resto do país.

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Há tempos uma amiga minha disse-me que desde que tinha deixado de enviar a minha newsletter que tinha deixado de saber o que andava a fazer. Ainda tenho a newsletter activa, mas a última vez que enviei algo foi em

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Há tempos uma amiga minha disse-me que desde que tinha deixado de enviar a minha newsletter que tinha deixado de saber o que andava a fazer. Ainda tenho a newsletter activa, mas a última vez que enviei algo foi em meados do ano passado, por alturas da minha exposição de São Tomé. E aquele resumo, que enviava mais ou menos a cada mês, era uma maneira simpática de receber as minhas actualizações.

O facto de esta minha amiga ter fechado a conta de Facebook não ajuda, mas a verdade é que hoje em dia o alcance de uma actualização no Facebook (ou foto no instagram, e por aí fora) é cada vez mais marginal, a não ser que se pague… Sinto que mesmo quem tem conta activa, e que queira realmente seguir o que vou fazendo, não está a receber essas actualizações.

Tudo isto para dizer que, ao invés de pedir para ligar uma notificação no Facebook, vou antes convidar a juntar à minha newsletter, com a promessa que vai estar activa, e de vez em quando enviar novidades das minhas fotos e viagens. Estou quase a recomeçar, com previews nas minhas ultimas viagens cá dentro e o progresso das fotos da viagem do ano passado à Índia, mas vou esperar um bocadinho para que se registem.

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Depois do filme que é comprar um bilhete de comboio na estação central de Nova Deli, e apesar de conhecer os truques para evitar os vendedores tentam vender-nos um táxi “baratinho” para as férias, eu e Fernando dirigimo-nos a Old

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Depois do filme que é comprar um bilhete de comboio na estação central de Nova Deli, e apesar de conhecer os truques para evitar os vendedores tentam vender-nos um táxi “baratinho” para as férias, eu e Fernando dirigimo-nos a Old Delhi para passar o resto da tarde, no que seria um primeiro dia calmo na Índia. Assim que o nosso autorickshaw entrou nas suas ruas estreitas, ainda mais estreitas e confusas que o resto de Delhi, a cúpula de uma mesquita vermelha surge acima de todo o barulho e caos ao nível do solo: é a Jama Masjid, uma das maiores mesquitas da Índia e um “farol” de Old Delhi.

 

FUJIFILM X-E2 (27mm, f/3.2, 1/8000 sec, ISO400)

 

Ficámos junto à entrada principal, um cruzamento com vendedores ambulantes mesmo junto aos portões e várias lojas volta, é normal as lojas do mesmo género estarem juntas e ali claramente eram os metais e ferragens. Ainda era muito próximo do meio-dia, num Domingo muito quente, então deixamos a grande mesquita para mais tarde. Seria muito mais fácil encontrar uma sombra nas ruas abrigadas do Sol que estavam atrás de nós, vaguear até poder sentar em algum lado para uma bebida gelada, se bem que numa zona muçulmana uma cerveja seria altamente improvável. As ruas principais estavam cheias e não havia um pedaço de chão visível para caminhar, todo o espaço disponível era disputado por vendedores a fritar pastéis em frigideiras do tamanho de pessoas, scooters que evitam as raparigas sentadas no chão enquanto eram feitas as suas tatuagens de henna e, acima de tudo, a multidão que ia às compras porque era o último dia do Ramadão.

 

FUJIFILM X-E2 (27mm, f/3.6, 1/125 sec, ISO400)

 

Como sempre afastar das ruas para os becos é uma óptima maneira de encontrar algum espaço para respirar. Um deles era particularmente tentador, com paredes pintadas de azul e uma calma que surgia entre duas lojas tranquila, mas afinal não era um beco, mas sim uma pequena mesquita escondida, alegadamente a mais antiga de Delhi. E, na verdade, foi o melhor lugar para se estar estar naquela tarde: um pátio fresco coberto com tapetes no chão e ventoinhas no tecto a fazer mover suavemente o ar abaixo (uma delas supostamente tinha 100 anos de idade e ainda funcionava), fazia sentido porque alguns homens estavam por ali, a conversar calmamente deitados nas esteiras e sem fazer nada (um deles supostamente tinha 115 anos…), e fez ainda mais sentido juntarmos a eles e ficar ali por um bocado, deitados no chão, desfrutar da hospitalidade e recuperar do voo do dia anterior. A calma só era interrompida pelos rapazes na escola do piso de cima, que aproveitavam a pausa para pedir-nos uma foto ou apenas equilibrar os fidget spinners nos dedos dos pés.

 

FUJIFILM X-E2 (27mm, f/2.8, 1/125 sec, ISO400)

 

De volta às ruas, era tempo para voltar para a Jama Masjid, agora tudo estava ainda mais cheio que antes, ao aproximar o fim de dia, eventualmente lutamos para regressar ao mesmo cruzamento onde chegámos. Enquanto o atravessavamos e lutavamos para chegar ao outro lado, exactamente no meio da rua, senti algo ao nível do joelho: um homem sem pernas, um dos mendigos de Old Delhi a rastejar entre os carros para atravessar a rua. A Índia de qualquer forma encontrar uma maneira de surpreender-nos…

Dentro da grande mesquita, as coisas estavam muito mais tranquilas do que do lado de fora, e especialmente abaixo das agradáveis arcadas, ali podia-se sentir aquele ambiente descontraído de qualquer parque ou área pública, em Delhi ou Lisboa, quando as famílias saem para comer um gelado num Domingo à tarde. No meio do pátio, centenas de pessoas lavavam-se num pequeno lago onde corre água e ladeado de bancos de pedra, mesmo a tempo da oração. Muitos mais já estavam prontos, descalços, dentro do edifício principal. Não faltou muito para ouvir o muezzin começar.

 

FUJIFILM X-E2 (27mm, f/4.5, 1/350 sec, ISO400)

 

A oração tinha entretanto terminado e o Sol acabado de baixar atrás das grandes cúpulas da mesquita vermelha. As refeições para quebrar o jejum começavam a ser servida em longas filas no pátio da mesquita, as lajes de pedra já não escaldavam e era possível sentar no chão.

O Ramadão tinha acabado. Eid Mubarak!

 

FUJIFILM X-E2 (27mm, f/3.2, 1/1100 sec, ISO400)

 

Agora era hora de deixar Delhi, e partir para Norte em direção aos Himalaias, que a viagem estava agora a começar e este nem sequer o nosso destino.

 

 

Navegue na galeria de Delhi no meu arquivo.

 

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